Homem é morto com tiro nas costas na porta de casa em Manguinhos
Publicado 21/07/2018 às 17:04
José Carlos de Jesus Almeida estacionou seu carro e foi atingido antes de entrar em casa. PM alega que estava havendo confronto na região, mas moradores afirmam que não havia tiroteio, que o primeiro disparo ouvido foi o que matou o homem e veio da Avenida dos Democráticos
Reportagem de Luiza Sansão José Carlos de Jesus Almeida estacionou o carro pouco antes das 21h desta sexta-feira (20) na porta de casa, em uma rua da favela de Manguinhos que dá acesso à Avenida dos Democráticos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, próxima à Cidade da PolÃcia. Só deu tempo de colocar a filha e dois sobrinhos para dentro de casa, antes que um tiro o atingisse pelas costas, na altura do peito, tirando quase que instantaneamente a vida do homem de 45 anos. A PolÃcia Militar afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que estava havendo confronto entre policiais e criminosos, mas os moradores que estavam no local alegaram unanimemente, que o primeiro disparo de arma de fogo que ouviram foi quando José Carlos foi atingido. “Quando as crianças desceram do carro, começaram os tiros. Foi do nada, não tinha tiroteio. Veio da Democráticosâ€, contou um morador, que não quis se identificar, apontando para a avenida, onde havia somente policiais. “Não estamos dizendo que foi A ou B que atirou. Mas se viram que tinha criança brincando na rua, por que um ser humano faz uma brutalidade dessa?”, revoltou-se uma moradora. O disparo, segundo moradores, partiu da Avenida dos Democráticos, onde havia policiais. Eram quase 22h30 quando cheguei à favela de Manguinhos. Um grupo de policiais fazia escolta na Avenida dos Democráticos, em frente à rua onde José Carlos foi morto. Depois de passar pela aglomeração de moradores, alcancei Ana, mulher de José Carlos, que chorava sentada na porta de sua casa, amparada por vizinhos e amigos, com o olhar perdido.
José Carlos de Jesus Almeida, morto na noite do dia 20/07 em Manguinhos. | Foto: Arquivo pessoal
“Eu gritei por ele e ele já não me respondeu. Aà os vizinhos viram que ele estava baleado, caÃdo no chão. Ele já tinha partidoâ€, contou a mulher, desolada.Minutos depois chegou o padre Geraldo, conhecido na comunidade como Padre Gegê. Todos se reuniram em torno do corpo e o padre fez uma oração, durante a qual as pessoas deram-se as mãos, envolvendo a famÃlia de José Carlos em uma atmosfera de carinho e acolhimento. “Estou muito abalado. Mais corpo pobre, negro, no chão, é um problema que se vê todos os dias nas favelas. Vim para dar um abraço na famÃlia, na comunidade, para prestar solidariedade”, disse.

Padre Geraldo faz oração com moradores em volta do corpo de José Carlos. | Foto: Luiza Sansão

Mulher coloca vela acesa ao lado do corpo durante oração. | Foto: Luiza Sansão

Policiais circulam pelo local do crime enquanto a perÃcia é realizada. | Foto: Luiza Sansão

DefEsa Civil busca o corpo de José Carlos por volta de uma e meia da madrugada.
“Segundo informações da Unidade de PolÃcia Pacificadora (UPP) Jacarezinho, policiais realizavam baseamento na Av. Don Helder Câmara quando desconfiaram de um veÃculo em atitude suspeita, na noite desta sexta-feira (20/7). No momento da abordagem, criminosos armados atiraram da comunidade do Manguinhos contra a guarnição e houve confronto. Um policial foi atingido por estilhaços e socorrido para o Hospital Geral de Bonsucesso, onde foi atendido e liberado. Outros dois homens foram atingidos, sendo um socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Manguinhos e o outro não resistindo aos ferimentos. A Delegacia de HomicÃdios (DH) foi acionada para a perÃcia no local”.Já a PolÃcia Civil respondeu apenas que o caso está sendo investigado pela Divisão de HomicÃdios da Capital.

Carro de José Carlos perfurado por projétil e com vidro estilhaçado. | Foto: Joel Luiz Costa
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