VÃdeo cândido da Samarco sobre Mariana ganha paródia realista
OutrasPalavras
Publicado 20/02/2016 às 09:00
Atingidos pela Vale tripudiam de publicidade da empresa com informações concretas; humor desconstrói razão cÃnica de marketing movido por um otimismo calculado
Por Alceu LuÃs Castilho (@alceucastilho)
Em vez de se distanciar da realidade, uma paródia feita pelo movimento Atingidos pela Vale [ver acima] escancara o realismo, ignorado pela Samarco na série de peças publicitárias veiculadas nos últimos dias sobre a catástrofe de Mariana (MG), em novembro. Em meio ao sarcasmo e a imagens de lama e destruição, são transmitidas informações que milhões de brasileiros não puderam ver nos comerciais exibidos em TV aberta.
O nome da campanha da Samarco era: “É sempre bom olhar para todos os lados”. TÃtulo da paródia: “É sempre bom olhar o nosso próprio lado”. Em apenas 44 segundos os Atingidos pela Vale – lembremos que a Vale possui metade das ações da Samarco – fazem um resumo da ópera com dados que a empresa esmerou-se em driblar ao longo dos comerciais dirigidos pela Tom Comunicação: “Em vÃdeo com trabalhadores, Samarco faz o que não deve ser feito: escárnio”.
Confira aqui o texto do vÃdeo:
“Nós somos a Samarco. Agimos prontamente após o rompimento da barragem em Minas Gerais. Estamos investindo em milhões em limpeza. Da nossa própria imagem. Muitos perderam com esse desastre. E podem perder ainda mais se nada for feito. Estamos falando, é claro, dos nossos acionistas. Afinal, uma empresa do nosso tamanho não pode pagar multa. Precisamos investir em publicidade e dar lucro. Não somos culpados. Não vamos ser responsabilizados. É sempre bom olhar para o nosso próprio lado”.
Aqui, as informações inseridas como legenda:
- “Desastre foi recorde mundial de lama vazada, em volume e percurso”.
- “A Samarco é da Vale e da BHP, duas das maiores mineradoras do mundo”.
- “Vale tenta livrar Samarco de pagar multa de R$ 2 bilhões” (TÃtulo no jornal Valor).
- “Até hoje, nenhuma multa foi paga pela empresa”.
- “Lucro da Samarco foi de R$ 2,8 bilhões em 2014”.
Outras Palavras é feito por muitas mãos. Se você valoriza nossa produção, seja nosso apoiador e fortaleça o jornalismo crÃtico: apoia.se/outraspalavras