Sobre a matemática peculiar da PolÃcia Militar de SP
Publicado 17/12/2015 às 06:10
Quantas pessoas derrubaram o Muro de Berlim? 3 mil. Quantas fizeram a Revolução Francesa? 3 mil. Quantos policiais atuam no Estado de São Paulo? 3 mil
Por Alceu LuÃs Castilho (@alceucastilho)
Acima e abaixo, as 3 mil pessoas nas manifestações de ontem contra o golpe e pela democracia, conforme os cálculos da PolÃcia Militar de São Paulo:
Abaixo, as 3 mil pessoas em ato pelas Diretas Já, em 1984:
Aqui, 3 mil pessoas no show do David Gilmour, em São Paulo, no sábado:
Nem menos nem mais que as 3 mil pessoas em Paris, em janeiro, após os atentados ao Charlie Hebdo:
Em Woodstock, em 1969 (ano em que se extinguia a Guarda Civil do Estado de São Paulo, abrindo espaço para sua fusão com a Força Pública e a criação da PM), incrÃveis 3 mil pessoas se reuniram em torno de rock, paz e amor:
Somadas, portanto, essas cinco concentrações gigantescas reuniram 3 mil pessoas.
O quê? A soma não é essa?
O quê? Em cada uma dessas fotos havia bem mais que 3 mil pessoas?
Mas é claro. Estamos aqui a falar da matemática muito especÃfica da PolÃcia Militar de São Paulo. Multidão na Plaza de Mayo, em Buenos Aires? 3 mil. Coliseu lotado, na Roma Antiga? 3 mil. Jovens derrubando o Muro de Berilm? 3 mil. Sempre, 3 mil, para não ter erro. O número máximo.
(A propósito: como a PM será lembrada no ano 3.000?)
Que nem determinada cultura que só saiba contar até dez – por não precisar de números maiores – e que defina qualquer quantidade maior que essa como “dez”. Quantas árvores na Amazônia? “Dez”. Quantos peixes do Rio Doce mortos pela Samarco? “Dez”. Quantas balas de borracha gastas nas manifestações de 2013? “Três mil”.
Quantas vÃtimas de violência policial no Estado de São Paulo, em 2015? “Dez”.
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