Quantas pessoas foram feridas pela polícia de SP nas manifestações de 2016?

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Juliano Vieira, da TV Drone, jornalista ferido na manifestação de 22/01 em SP (Foto: TV Drone)

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É preciso quantificar as agressões policiais durante os protestos; investigar os responsáveis e denunciar internacionalmente esses atentados à democracia

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

É preciso registrar. Quantificar. Quantas pessoas foram feridas pela polícia paulista nos protestos democráticos pela redução das tarifas de transporte? Quem vai reunir essas informações? Advogados ativistas? O MPL? O Ministério Público?

Não se trata de naturalizar a violência policial. Muito pelo contrário. E sim de respeitar cada vítima. E de utilizar os dados como instrumento para denunciar o Estado como violador de direitos humanos elementares.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já está fazendo algo parecido com os jornalistas. No protesto de quinta-feira sete jornalistas foram atacados pela polícia do governador Geraldo Alckmin. No ano, 21. Pelo menos um deles foi ferido. Ontem. É Juliano Vieira, da TV Drone, internado com queimaduras de segundo grau.

Podemos supor, portanto, que centenas de pessoas foram atacadas pela PM, sem que tivessem feito absolutamente nada. Vítimas de uma violência gratuita – ou não tão gratuita assim, porque o governador tem objetivos eleitorais, junto a um público de direita.

Ou seriam milhares de pessoas atacadas? Qual a estatística dessa infâmia? Tivemos cem feridos? Duzentos? Trezentos? Mais que em 2013? Menos?

Quantas pessoas foram covardemente esmurradas por policiais que deveriam estar protegendo os cidadãos? Quantas feridas por bombas? Quantas tiveram queimaduras? Ferimento no rosto? Nas pernas?

O portal Terra publicou fotos de vários jovens feridos. Quem são eles? Que policiais os feriram? De qual batalhão? Qual o comandante desse batalhão? Os atentados a democracia têm nome e sobrenome – além do secretário de Segurança Pública e do governador.

O ouvidor da polícia paulista falou em “truculência” da polícia, e em “excessos”. Ora, é bem mais que isso. As vidas de quem sai às ruas com liberdade de expressão e manifestação tem sido ameaçada. A participação social em plena democracia, desestimulada.

Mas não é preciso esperar um morto para que se exponha a dimensão dessa violência de Estado. Que seja instalada uma comissão específica para apurar esses fatos. Ou só interessa a verdade relativa à ditadura de 1964?

DEMOCRACIA PELA METADE

Na semana passada foi divulgado que o Brasil foi rebaixado no ranking mundial de democracias. Por motivos diversos, como a crise e os movimentos para derrubar a presidente. Mas não consta que a violência policial tenha entrado como fator.

E ela é determinante para demonstrar que temos apenas umas ilhas de democracia cercadas por coerções por todos os lados. Que espécie de democracia é essa? Uma democracia apenas “com falhas”, como diz esse ranking? Ou algo estruturalmente coercitivo?

O Brasil precisa ser conhecido internacionalmente pela existência de grupos de extermínio, em todas as Unidades da Federação. Por violar direitos indígenas, constranger os povos originários. Direitos de camponeses, pescadores. Pelo genocídio da juventude negra.

Mais especificamente, precisa ser conhecido como o país cujas polícias impedem manifestações democráticas. Um país que fere sua juventude. É preciso divulgar esses números de guerra para todo o mundo. Com a estampa de cada governador infame.

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