Quantas pessoas foram feridas pela polÃcia de SP nas manifestações de 2016?
Publicado 23/01/2016 às 11:52
É preciso quantificar as agressões policiais durante os protestos; investigar os responsáveis e denunciar internacionalmente esses atentados à democracia
Por Alceu LuÃs Castilho (@alceucastilho)
É preciso registrar. Quantificar. Quantas pessoas foram feridas pela polÃcia paulista nos protestos democráticos pela redução das tarifas de transporte? Quem vai reunir essas informações? Advogados ativistas? O MPL? O Ministério Público?
Não se trata de naturalizar a violência policial. Muito pelo contrário. E sim de respeitar cada vÃtima. E de utilizar os dados como instrumento para denunciar o Estado como violador de direitos humanos elementares.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já está fazendo algo parecido com os jornalistas. No protesto de quinta-feira sete jornalistas foram atacados pela polÃcia do governador Geraldo Alckmin. No ano, 21. Pelo menos um deles foi ferido. Ontem. É Juliano Vieira, da TV Drone, internado com queimaduras de segundo grau.
Podemos supor, portanto, que centenas de pessoas foram atacadas pela PM, sem que tivessem feito absolutamente nada. VÃtimas de uma violência gratuita – ou não tão gratuita assim, porque o governador tem objetivos eleitorais, junto a um público de direita.
Ou seriam milhares de pessoas atacadas? Qual a estatÃstica dessa infâmia? Tivemos cem feridos? Duzentos? Trezentos? Mais que em 2013? Menos?
Quantas pessoas foram covardemente esmurradas por policiais que deveriam estar protegendo os cidadãos? Quantas feridas por bombas? Quantas tiveram queimaduras? Ferimento no rosto? Nas pernas?
O portal Terra publicou fotos de vários jovens feridos. Quem são eles? Que policiais os feriram? De qual batalhão? Qual o comandante desse batalhão? Os atentados a democracia têm nome e sobrenome – além do secretário de Segurança Pública e do governador.
O ouvidor da polÃcia paulista falou em “truculência” da polÃcia, e em “excessos”. Ora, é bem mais que isso. As vidas de quem sai à s ruas com liberdade de expressão e manifestação tem sido ameaçada. A participação social em plena democracia, desestimulada.
Mas não é preciso esperar um morto para que se exponha a dimensão dessa violência de Estado. Que seja instalada uma comissão especÃfica para apurar esses fatos. Ou só interessa a verdade relativa à ditadura de 1964?
DEMOCRACIA PELA METADE
Na semana passada foi divulgado que o Brasil foi rebaixado no ranking mundial de democracias. Por motivos diversos, como a crise e os movimentos para derrubar a presidente. Mas não consta que a violência policial tenha entrado como fator.
E ela é determinante para demonstrar que temos apenas umas ilhas de democracia cercadas por coerções por todos os lados. Que espécie de democracia é essa? Uma democracia apenas “com falhas”, como diz esse ranking? Ou algo estruturalmente coercitivo?
O Brasil precisa ser conhecido internacionalmente pela existência de grupos de extermÃnio, em todas as Unidades da Federação. Por violar direitos indÃgenas, constranger os povos originários. Direitos de camponeses, pescadores. Pelo genocÃdio da juventude negra.
Mais especificamente, precisa ser conhecido como o paÃs cujas polÃcias impedem manifestações democráticas. Um paÃs que fere sua juventude. É preciso divulgar esses números de guerra para todo o mundo. Com a estampa de cada governador infame.
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