‘Putsch’, ‘coup’, ‘colpo’, ‘golpe’: Brasil teve golpe, mesmo, e ele já foi globalizado

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Situação do país rodou o mundo nesta semana; houve estupefação, comparação com o 7×1, e uma utilização mais precisa das palavras em relação à imprensa brasileira

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Uma leitura atenta da imprensa internacional mostra que a palavra “golpe” está, sim, sendo utilizada por jornalistas de diversas partes do mundo. Em reportagens, correspondentes estrangeiros colocam a palavra entre aspas, como fazem os repórteres, na boca de alguém (em geral, Dilma Rousseff). Mas colocam. Com ênfase, em destaque nos textos e títulos. Em artigos, porém, eles vão direto ao ponto: golpe. Algumas análises não utilizam a palavra – putsch, coup, colpo, golpe -, mas assinalam seu equivalente: a ameaça à democracia.

Que os golpistas e apoiadores disfarçados, portanto, não invoquem a linguagem em seu apoio. Pois o golpe – como tal, com esse vocábulo – no Brasil já foi devidamente globalizado, dos Estados Unidos à África do Sul, da Argentina à Itália. Na França, na Alemanha, na Suíça. Em jornais tradicionais e na imprensa alternativa. Estamos diante de um fenômeno também midiático. “Uma história incrível”, como resumiu a âncora da CNN após dez minutos de conversa com o correspondente Glenn Greenwald.

Jens Glüsing, na revista alemã Spiegel. __. Não são apenas jornalistas brasileiros, como Eric Nepomuceno no argentino Página 12, ou brasileiros famosos (como Sebastião Salgado) que estão alcançando as páginas das publicações internacionais. Alguns dos nomes citados são especialistas em América Latina.

Tudo isso na imprensa burguesa, corporativa. Ainda que alguns jornais e revistas tenham adotado posição mais cautelosa, ou mesmo favorável aos golpistas (o que não seria de se espantar), é preciso ficar claro que a tendência na imprensa internacional não é a de relativização ou minimização do que acontece no Brasil. E sim de espanto. ” “, em fala de longos minutos na italiana RAI.

E se a imprensa tradicional não estivesse reconhecendo um golpe, ele deixaria de sê-lo? Não, né. Nesse sentido, vale observar uma nuance da expressão “golpe de Estado” observada inicialmente no idioma espanhol: “golpe de palácio”. Ela foi cunhada __ e se refere exatamente a esse formado adotado no Brasil: nada de militares, violência física (como nos golpes de Estado), mas…

Note-se que o _ falou exatamente em pretexto, com outras palavras, ao escrever a análise que acompanhava o texto principal: “

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