Estadão diz que MST “invade” fazenda de político; só que a terra é pública

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Jornal utiliza o verbo “invadir”; mas se esquece de informar que as terras ocupadas são públicas; nos anos 50, veículo classificava de criminosos os esbulhos na região

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Utilizemos a própria notícia do Estadão para demonstrar que a notícia do Estadão não tem nenhuma sustentação. Apenas o propósito de defender proprietários de terra que  não são proprietários de terra. E sim senhores que se apropriaram de terras públicas.

Em pauta, a velha utilização do verbo “invadir”. Mas somente quando se trata de movimento social reivindicando seu espaço. Vejamos: “MST invade fazenda de político no extremo oeste paulista“.

Trata-se de Agripino de Lima, ex-prefeito de Presidente Prudente. Um pobre e inocente proprietário de uns nacos de terras, importunado injustamente pelos camponeses? Não exatamente. E é o próprio texto que informa isso:

A fazenda foi julgada terra devoluta pela Justiça e faz parte do convênio para reversão de terras públicas firmado em 2014 entre o governo federal, através do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), órgão estadual.

Tradução: as terras são públicas. Terras como essas foram invadidas por esse e outros proprietários. Mas a informação não motivara títulos. Pois a ideia é criminalizar o MST – ou qualquer movimento que esteja alertando a sociedade de que terras públicas estão na mão de usurpadores.

FALTA DE MEMÓRIA

Curiosamente, o Estadão condenava a destruição de florestas e a grilagem de terras no Pontal do Paranapanema, ao longo do século XX. Estão no arquivo do próprio jornal diversas notícias sobre esse processo predador. O editorial do dia 19 de junho de 1957, por exemplo, falava em “clamoroso esbulho” de terras da região “por um grupo de aproveitadores”.

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O jornal falava em “assaltantes”, em terras riquíssimas “de que os grileiros ilicitamente se apropriaram”. Curiosamente, o editorial criticava exatamente a reunião de prefeitos de municípios do Pontal para a defesa desse esbulho.

Ao longo das décadas, porém, veio a amnésia. E essa defesa sórdida do indefensável.

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