Crianças envenenadas: nem bebês estão a salvo dos agrotóxicos
Publicado 12/07/2016 às 01:55
Pesquisa da USP traz detalhes sobre distribuição etária da contaminação por pesticidas no Brasil; 40% dos casos até 14 anos em MG e MT atingem faixa até 4 anos
Por Alceu LuÃs Castilho (@alceucastilho)
Crianças e adolescentes até 14 anos estão entre as vÃtimas – e entre as vÃtimas fatais – de pesticidas no paÃs. E não há limite de idade. Em Estados como Minas Gerais e Mato Grosso, a incidência entre crianças de 0 a 4 anos supera 40% do total de crianças e adolescentes envenenados.
Esses são alguns dados organizados pela professora Larissa Bombardi, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), e que farão parte da Geografia do Uso dos Agrotóxicos no Brasil, uma pesquisa que será finalizada e divulgada neste semestre.
De Olho nos Ruralistas – um observatório sobre o agronegócio no Brasil – tem adiantado os dados desse “Atlas do Uso dos Agrotóxicosâ€. A estimativa é que, entre 2007 e 2014, pelo menos 1.250.000 pessoas tenham sido intoxicadas pelos pesticidas: 50 vezes mais que o número de casos notificados.
Nesse perÃodo, 2.181 crianças e adolescentes foram intoxicados por agrotóxicos. Ou mais de 100 mil, conforme a proporção de subnotificações. Notem, pelo mapa, que a incidência maior está em Unidades da Federação com amplo uso de pesticidas, como Paraná (soja, trigo) e São Paulo (cana).
“O nÃvel de barbárie na nossa agricultura é tão grande que a gente tem essa quantidade de crianças que se intoxicamâ€, afirma Larissa. “Inclusive bebêsâ€. No perÃodo analisado, 342 bebês envenenados. “Como um bebê que mal se desloca está contaminado por agrotóxicos? Qual o nÃvel de exposição das famÃlias para que ele se intoxique?â€
A pesquisadora considera o mapa sobre os bebês o que mais traduz a gravidade do estado do uso de agrotóxicos no Brasil.
Ceará e Pernambuco destacam-se por causa da fruticultura, para exportação. O estudo organizado pela pesquisadora da USP mostra que as mulheres também estão entre as vÃtimas mais frequentes nessas regiões, por trabalharem no cultivo.
Trezentas crianças entre 10 e 14 anos tentaram suicÃdio com agrotóxicos de uso agrÃcola, entre 2017 e 2014. “Dado traduz a gravidade da situação, a maneira como essa agricultura tem sido levada a caboâ€.
(Colaborou João Peres)
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