Aviso aos navegantes: Marco Antonio Villa não é o dono da Jovem Pan
Publicado 17/05/2016 às 03:18
Trote do prefeito Fernando Haddad no historiador panfletário anima quem conhece poder de manipulação da rádio; mas ninguém menciona os nomes de que manda
Por Alceu LuÃs Castilho (@alceucastilho)
Em poucas palavras: o historiador Marco Antonio Villa é um subordinado. Perfeitamente substituÃvel. Indefensável como jornalista, diante do caráter panfletário de suas análises. O trote que levou do prefeito Fernando Haddad (que divulgou a agenda de Alckmin como se fosse dele, para que Villa a atacasse) mostra que ele atira – verbalmente – no que vem pela frente. Desde que tenha relação com o PT, Haddad, Dilma, Lula. Mas quem disse que é ele quem manda na rádio?
A esquerda brasileira anda distraÃda em relação aos patrões. Particularmente em relação aos donos dos meios de comunicação. Esses que escolhem os Villas e as Sheherazades, os Waacks e Mervais. Estes obtêm os cargos e espaços que têm porque dizem exatamente o que os patrões gostariam de dizer. Mas deveriam ser os principais alvos de quem critica essa mÃdia parcial e abjeta? Não. E sim quem está acima deles. Esses estão rindo de tudo.
O dono da Jovem Pan chama-se Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta. Ele é filho de Paulo Machado de Carvalho, o “Marechal da Vitória”, aquele que foi dirigente polÃtico ao lado de João Havelange e dá nome ao estádio do Pacaembu. Um senhor octogenário que foi sucedido na presidência da Pan pelo filho, Tutinha, Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho. Também conhecido como Djalma Jorge. É este quem manda.
Já que não é jornalismo o que é feito no Jornal da Manhã, que se questione a concessão pública oferecida a esses senhores. Ou nos esquecemos que deveria se tratar de algo público? Em que momento foi decidido que a Jovem Pan poderia usar as ondas de rádio para abraçar um determinado grupo polÃtico e perseguir violentamente outro grupo polÃtico? Em nenhum momento. Trata-se de uma usurpação. Do jornalismo e da concessão.
Esse problema vai muito além da alçada do Marco Antonio Villa de plantão. Poderia ser outro jornalista. Poderia ser José Nêumanne. Poderia até ser alguém com mais verniz, mais categoria, fossem os donos mais sutis. De qualquer forma, é dos andares mais altos da Avenida Paulista que sai a linha editorial da Jovem Pan. Villa e os demais obedecem. Vociferam a partir de um repertório possÃvel. São operários. Nem um pouco desequilibrados. Convenientes.
Constatar tudo isso não significa defender Haddad (ou o PT ou Lula). São mais do que bem-vindas as crÃticas a qualquer homem público. Considero abominável a polÃtica do prefeito em relação aos moradores de rua. Mas Villa nem ninguém na Pan se importará com isso. Essa é uma causa de esquerda, a defesa de direitos dos excluÃdos. Estes não serão lembrados nem para que os boquirrotos desanquem Haddad.
O que estamos cobrando é um mÃnimo de compostura dos donos de concessões públicas. O trote do Haddad fez sucesso porque desmascarou os dois pesos e duas medidas de gente como Tuta e Tutinha. Que seguem ganhando a blindagem de operários (ainda que bem remunerados) como Villa. Se e quando Tuta e Tutinha quiserem, será trocado. Haddad irá enfrentá-los?
E o mesmo vale para os demais jornalistas (por mais desprezÃveis que sejam) e demais donos de meios de comunicação, quatrocentões ou não.
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