Sobre moradores de rua, sem-teto, OlimpÃadas e o higienismo nosso de cada dia
OutrasPalavras
Publicado 30/07/2016 às 12:13
https://www.youtube.com/watch?v=SYPaHstuM6Y
Exclusões de moradores de rua, sem-teto ou indÃgenas são feitas pelo poder público a pedido do poder econômico; mas e quando são solicitadas pelo cidadão comum?
Por Alceu LuÃs Castilho (@alceucastilho)
Vejamos duas notÃcias aparentemente dÃspares reunidas pelo Observatório do Autoritarismo.
1) “A pedido de moradores do Centro, Brigada Militar retira população de rua do viaduto na Borges” (Sul 21). Em Porto Alegre.
A presidente da Associação Comunitária do Centro Histórico conta que, na última reunião do Fórum de Segurança, as demandas foram “a retirada da população de rua do Viaduto e da Praça da Matriz, que já foi feito, limpeza das áreas adjacentes e atenção à distribuição de alimentos”.
2) “Em ato de racismo, indÃgenas são expulsos de ônibus de viagem“. (Revista Forum) Em BrasÃlia.
Uma mulher que estava em uma poltrona da parte inferior do veÃculo se incomodou com a presença dos 18 Kayapó: “Nós que pagamos! Ou vocês descem ou eu chamo a polÃciaâ€.
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Os dois casos são idênticos. Mostram a que ponto pode chegar a estupidez – a ignorância, a miopia – e a prepotência – a truculência, a violência – de nossa classe média. Com o devido aval do poder público, de nossa polÃcia despreparada, a tomar como determinação solicitações absurdas dessa escória que ainda conseguimos chamar de “elites”.
Uma sociedade minimamente saudável não pode aceitar esse higienismo a pedido. Essas senhoras intolerantes e esses mentecaptos de farda precisam ser punidos. Não estamos em uma ditadura. Em 1988, foi promulgada uma Constituição e..
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Escrevi esse texto há exatamente um ano. Como post de Facebook. Retomo agora pela atualidade. E porque uma amiga do Rio – que caminha muito pela cidade – fez a seguinte pergunta, ao observar a movimentação nos últimos dias: “Onde estão os moradores de rua?”
Não é uma constatação cientÃfica. Nem jornalÃstica. Mas sim de uma cidadã que chama os moradores de rua de irmãos e costuma estar atenta a violações de direitos. Precisa ainda ser checada, confirmada por outras pessoas.
Mas ela assusta porque é verossÃmil. Porque o Rio (assim como tantas outras metrópoles) tem um histórico de exclusão de moradores de rua/mendigos/sem-teto. Porque a cidade foi maquiada para espectador de Jogos OlÃmpicos ver, como evidencia o vÃdeo acima, com mais de 3 milhões de visualizações em sua versão original, em inglês – e ainda pouco visto pelos brasileiros.
E, por isso, precisamos questionar não somente o poder polÃtico que executa esse tipo de exclusão, ou o poder econômico que promove essa desigualdade violenta, mas também o cidadão comum que avaliza tudo isso. O fascismo existe porque existem fascistas.
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