“Capas que os jornais não deram” evidenciam disputa de narrativas
Publicado 01/01/1970 às 00:00
Por Alceu LuÃs Castilho (@alceucastilho)
Virou uma tendência na internet: as “capas que os jornais não deram”. Ou revistas. Poderiam ter dado. Ou até deveriam – caso fossem coerentes. Ou caso fossem isentos. Mais do que sátiras, essas montagens feitas por internautas, com o logo dos jornais ou revistas, mesmo estilo gráfico (nos melhores casos), vêm-se afirmando como uma disputa saudável de narrativas. Já que os jornalões insistem em ser panfletários, que ao menos tenham algum contraponto.
Essa capa alternativa do Estadão, por exemplo, é referência à capa do dia 14, após as manifestações pela queda de Dilma Rousseff. A capa original continha apenas a data: “13/06/2016”. Como se o jornal estivesse descrevendo um dia histórico, uma data revolucionária, ou extremamente marcante. (Em 1982, no dia seguinte à tragédia de Sarriá, quando o Brasil foi desclassificado pela Itália na copa do mundo da Espanha, o Jornal da Tarde publicou apenas a foto de um menino chorando, com a data do dia anterior.)
Vejamos outro exemplo:
Notem a diferença em relação a uma capa puramente satÃrica, com dados inventados:
Simulacro ou realidade? Em alguns dos casos, o simulacro disputa diretamente a narrativa sobre o “real”. Evidenciando que a imprensa faz opções nem sempre baseadas em critérios honestos.
E, como se trata também de humor, o que os jornais podem fazer? Processar?
Outras Palavras é feito por muitas mãos. Se você valoriza nossa produção, contribua com um PIX para outrosquinhentos@outraspalavras.net e fortaleça o jornalismo crÃtico.



