“Capas que os jornais não deram” evidenciam disputa de narrativas

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“Sabia que o jornal não ia dar e fiz” (Montagem: Emmanuel Requião)

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Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

Virou uma tendência na internet: as “capas que os jornais não deram”. Ou revistas. Poderiam ter dado. Ou até deveriam – caso fossem coerentes. Ou caso fossem isentos. Mais do que sátiras, essas montagens feitas por internautas, com o logo dos jornais ou revistas, mesmo estilo gráfico (nos melhores casos), vêm-se afirmando como uma disputa saudável de narrativas. Já que os jornalões insistem em ser panfletários, que ao menos tenham algum contraponto.

Essa capa alternativa do Estadão, por exemplo, é referência à capa do dia 14, após as manifestações pela queda de Dilma Rousseff.  A capa original continha apenas a data: “13/06/2016”. Como se o jornal estivesse descrevendo um dia histórico, uma data revolucionária, ou extremamente marcante. (Em 1982, no dia seguinte à tragédia de Sarriá, quando o Brasil foi desclassificado pela Itália na copa do mundo da Espanha, o Jornal da Tarde publicou apenas a foto de um menino chorando, com a data do dia anterior.)

Vejamos outro exemplo:

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Notem a diferença em relação a uma capa puramente satírica, com dados inventados:

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Simulacro ou realidade? Em alguns dos casos, o simulacro disputa diretamente a narrativa sobre o “real”. Evidenciando que a imprensa faz opções nem sempre baseadas em critérios honestos.

E, como se trata também de humor, o que os jornais podem fazer? Processar?

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