Golpe do Pato: a face absurda da cena polÃtica brasileira
Publicado 20/03/2016 às 11:23
Fiesp criou o pato cego para protestar contra aumento de impostos; mas ele já faz parte da paisagem do golpismo; o pato é nosso ensaio sobre a cegueira polÃtica
Por Alceu LuÃs Castilho (@alceucastilho)
Quem disse que o golpe de 2016 – em plena execução – não tem um sÃmbolo?
O papel da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) esteve claro em 1964 e está claro em 2016. Como observamos aqui no blog – sobre o fator Fiesp – e como observou o jurista Fábio Konder Comparato, em ato pela legalidade na Faculdade de Direito da USP. Falta ainda esmiuçar o papel do pato: o sÃmbolo utilizado pela entidade patronal nos protestos na Avenida Paulista. Como em tantos outros casos, o humor se adianta à análise polÃtica. E percebe que se trata de um sÃmbolo e tanto. Estamos vivendo o desenrolar do que podemos chamar de um Golpe do Pato.
Mas o que representa o pato cego da Fiesp, afinal? Originalmente, uma campanha contra o aumento de impostos, mais especificamente a volta da CPMF. Desde o ano passado ele foi incorporado à s manifestações antigoverno. Não é exatamente fofo, com esse olho cego que pode ser lido de várias formas (esse “pato falho”), nenhuma delas registrando alguma qualidade estética. É amarelo, é inflável. Rima com 64. E já se tornou o sÃmbolo da movimentação golpista. O pato é nosso ensaio sobre a cegueira polÃtica. Saramago com Camus: o pato e a peste.
“Um Pato que não é só um Pato”, escreveram em dezembro a jornalista Joana Monteleone e o ex-deputado Adriano Diogo, relembrando o papel da Fiesp durante a ditadura. “Todos os dias a Fiesp, contrariando a lei da cidade limpa, faz propaganda contra o governo federal, num show de luzes brega montado no próprio prédio pelo senhor Paulo Skaf. Prédio este, aliás, erguido com muitas facilidades governamentais na década de 1970, os anos mais sanguinários do regime militar”.
E lá vem o golpe, golpe aqui, golpe acolá.
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