Casos de agressão por uso de vermelho se multiplicam; por que autoridades se calam?

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Intolerância tipicamente fascista ganha vista grossa de políticos e operadores do Direito; blog reuniu dez casos, entre prováveis centenas ou milhares pelo país

Por Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)

1 Fortaleza. Sexta-feira. Produtor é vítima de agressão por usar boné vermelho. O boné era de um time americano de baseball. Mas pensaram que era do PT. O produtor Marcelo Street chegou a ouvir: “Você não é brasileiro?”

2) São Paulo. Quarta-feira. Warley Alves é hostilizado por estar com um boné vermelho onde estava escrito: “Zona sul“.

3) Curitiba. Quinta-feira. Manifestantes agridem rapaz e ateiam fogo em camiseta do Che. O relato é do El País Brasil:

Em Curitiba, um casal foi agredido porque vestia camisetas vermelhas, o que provocou a ira dos manifestantes anti-Dilma, que se caracterizaram por vestir roupas verde e amarela. A camiseta do rapaz, que tinha uma imagem de Che Guevara estampada, foi arrancada do seu corpo e, depois, incendiada. O rapaz tomou socos e chutes dos presentes.

4 e 5) Rio e Londrina (PR). Mais relatos do El País:

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, seis policiais tiveram que escoltar um senhor vestindo vermelho até um táxi, após uma multidão tentar agredi-lo, lhe desejar a morte e encurralá-lo, aos gritos de “filho da puta”, informa Maria Martín. Em Londrina, no Paraná, um estudante da Universidade Estadual de Londrina também teve de ser escoltado pela polícia quando tentava passar por uma calçada de camiseta vermelha.

6) São Paulo. Quinta-feira. Casal é agredido por defender rapaz vestido de vermelho. Vídeo mostra o publicitário Vinícius Vasconcellos fugindo, após levar chutes e tapas, e o casal sendo agredido; ele com soco, ela com tapa. O casal também participava do protesto antigoverno.

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Publicitário agredido na paulista. (Foto: Felipe Larozza/ Vice)

7) São Paulo. Quarta-feira. Mulher se refugia com bebê em supermercado. Conforme o relato da blogueira Matê da Luz, que estava na fila quando entrou uma mãe com um bebê de colo. “Vestia uma camiseta vermelha. O bebê chorava muito. Ela pediu abrigo ao segurança do mercado, ‘moço, estou sendo praticamente apedrejada na rua, estou com medo por causa do nenê’”. A moça atrás de Matê decidiu dar sua opinião: “Claro, né, ela é louca, petista andando pela rua com nenê de colo, tá pedindo pra apanhar”.

8) São Paulo. Quarta-feira. Uma bicicleta vermelha é utilizada como um dos argumentos para agressão a um casal que “parecia petista“. Isadora Schutte ouviu a seguinte frase: “A bicicleta é vermelha, vai pra Cuba!”

9) São Paulo. Quinta-feira. A professora Teresa andava pela ciclovia da Avenida Faria Lima. Um carro encostou ao seu lado, no sinal, e o motorista começou a gritar desaforos, apenas porque sua bicicleta era vermelha. E continuou andando emparelhado, após o sinal abrir. À noite, situação idêntica. Um carro passou raspando nela. Depois o motorista parou e começou a segui-la, “enlouquecido, xingando a bike vermelha“.

10) Brasília. Hoje. Jornalista é intimidada por usar vestidinho vermelho. Vanessa Campos estava neste sábado em um café na asa norte:

Sentadinha esperando meu expresso, vem um senhor me falar baixinho, com a chave do carro na mão, de terno bem cortado, “tá procurando o que aqui?”. Pensei que era assédio, ia me propor, sei lá, um sexo selvagem. Respondi: café. Ele riu, de um jeito que não sei como descrever, mas que me deixou gelada. “Não, você veio procurar confusão mas não se preocupe, você e seus ~compas~ vão achar logo mais”, e foi saindo. Não sei o que me deu, sou sempre muito calma, mas levantei e comecei a berrar, no meio de todo mundo: seu golpista escroto, não temos medo! 

Há outros tantos casos de agressão porque as pessoas discordaram dos manifestantes, não aderiram a palavras de ordem, ou porque “pareciam petistas”. O fascismo se alastra.

Mas as notícias são isoladas. Onde estão os defensores da liberdade de expressão?

Por que tanta gente se cala?

PS: Mais um caso relevante: De roupinha vermelha, bebê e mãe sofrem agressão: “Disse que ia me dar um tiro”
PS2: Na página do Facebook do Outras Palavras, Marcos Lemmon relata: “Quinta recente eu vi, na Avenida Paulista, a ronda motorizada apontar arma para dois adolescentes que estavam de bermuda vermelha. Depois perceberam que era uniforme escolar”.
PS3: Em Belo Horizonte, uma mulher de vermelho e turbante atravessava a rua na faixa de pedestres. Em uma caminhonete Hilux, um homem avançou em cima dela. Com o sinal fechado: “Morra, sua comunista macumbeira”. Uma jovem a puxou, e ela caiu na calçada. Depois, escreveu: “Que Exu proteja nossos caminhos, e que a Caboclada nos guie as mãos e a visão, para apontar a flecha que finca certeira”.
PS4. Quinta-feira, no Rio. Conforme a coluna de Ancelmo Gois, sábado, em O Globo: “Quinta, um dia antes das manifestações pró-Lula e Dilma, uma carioca levou esta cachorrinha vira-lata com um lencinho vermelho no pescoço, na pracinha do Bairro Peixoto, no Rio. Foi hostilizada aos gritos de petralha”.

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