“Empresas”, 7, “vÃtimas”, 1 – uma análise do discurso de Dilma sobre Mariana
Publicado 06/03/2016 às 02:12
Pescadores e povos indÃgenas receberam uma menção cada durante a fala de 21 minutos da presidente; ela celebrou 24 vezes o acordo e não citou a palavra “crime”
Por Alceu LuÃs Castilho (@alceucastilho)
Que palavras a presidente Dilma Rousseff utilizou no discurso que anunciou o polêmico acordo com Samarco, Vale e BHP, na quarta-feira, relativo à catástrofe em Mariana (MG)? “Catástrofe”, por sinal, não foi um termo enunciado. Ela preferiu “tragédia” (5 vezes), “desastre” (8) e “acidente” (1). Mas uma oposição especÃfica sintetiza o espÃrito do evento: aquela entre “empresas” e “vÃtimas”. O placar foi de 7 x 1.
Claro que análises de discurso qualitativas são mais do que bem-vindas. Mas essa abordagem quantitativa traz algumas informações no mÃnimo curiosas. Outras, bastante representativas. Seja pela quantidade de vezes que a palavra foi utilizada – ela enunciou 24 vezes o termo “acordo” -, seja pela absoluta ausência ao longo dos 21 minutos de fala. Por exemplo: Dilma não mencionou a palavra “crime”.
Aquele 7 x 1 entre empresas e vÃtimas pode ser completado com as quatro menções (duas cada) à Vale e à Samarco – cumprimentadas logo no inÃcio do discurso. “Empresa”, no singular, apareceu duas vezes. Do outro lado, temos as palavras “população”, quatro vezes, “atingidas”, cinco vezes. Em 2.114 palavras, a presidente pronunciou uma vez a dobradinha “povos indÃgenas”.
A palavra “ambiente” apareceu dez vezes. “Ãgua”? Duas vezes. Ela preferiu falar “Rio Doce”, oito vezes. Observemos agora mais duas menções únicas: “animais” e “mar”. Outra menção única: “pescadores”. O mesmo aconteceu com a palavra “peixe”. Ou, mais precisamente, “sem-peixe”. Teve sorte melhor a palavra “vida”, com oito menções. E mais duas para o plural, “vidas”.
Um dos termos preferidos entre polÃticos, “pessoas” também apareceu somente uma vez. Ela preferiu “sociedade” (4 vezes). O nome do municÃpio, Mariana, ganhou cinco menções. Os “escombros” ganharam menção única. A própria “barragem”, pivô da crise, apareceu duas vezes na fala de Dilma. Finalmente, vale destacar outra palavra que surgiu apenas uma vez em seu discurso: “Justiça”.
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