2015 – Estudantes, estrangeiros e religiosos estão entre as vÃtimas de racismo
OutrasPalavras
Publicado 30/12/2015 às 08:40
Para a elite brasileira, há lugares para brancos e lugares para negros. Continuam acontecendo aqueles casos em estabelecimentos comerciais em que atendentes ou gerentes presumem que a criança negra seja um pedinte, e dizem para ela sair da loja (ou do restaurante):
30/03 (São Paulo): ‘É um lugar só para brancos”, diz pai de garoto vÃtima de racismo em loja
22/12 (São Paulo): O que fez uma criança negra dizer: “mãe, isso também acontece com brancos?”
As duas crianças agredidas – humilhadas – estavam em locais considerados nobres de São Paulo: a Rua Oscar Freire e o shopping Eldorado, ambos nos Jardins.
Ainda em São Paulo, uma menina de 12 anos foi ofendida na escola e ninguém deu o braço a torcer:
06/05 (São Paulo): Brasil: vÃtima de racismo em escola, menina é obrigada a pedir desculpas aos agressores
Pela lógica da elite branca, não se supõe também que negros possam ter determinados bens:
23/04 (Belo Horizonte): Universitário negro acusado por PM de roubar o próprio carro não sai mais de casa sozinho
SIMBOLISMOS
As caracterÃsticas racistas da técnica teatral da blackface apenas começam a ser percebidas. Em Juiz de Fora, um bloco chamado Domésticas de Luxo continua utilizando o carnaval para apresentar alegremente seus preconceitos, distorcendo feições que associam aos negros para ridicularizá-los:
17/02 (Juiz de Fora, MG): Domésticas de Luxo desfilam no Centro
E o que dizer de uma boneca chamada “Neguinha do Espanador”?
27/01 (São Paulo): Boneca chamada ‘Neguinha do Espanador’ é exposta e causa polêmica em redes sociais
De simbolismo em simbolismo se desemboca nas discriminações mais focadas (dirigidas a uma pessoa especÃfica), ou violentas. Um médico do interior paulista chamou uma colega exatamente de “negrinha”:
23/06 (Barretos, SP): Médica denuncia colega por racismo em hospital de Barretos
E um jovem da elite carioca teve seu dia de fúria discriminatória:
28/05 (Rio): Erro em pedido de lanchonete acaba em agressão e racismo no Rio de Janeiro
XENOFOBIA E RACISMO
O valentão acima utilizou a palavra “macaco” para se referir a um negro. O termo costuma ser ouvido por haitianos. Em pleno paÃs composto por imigrantes, eles são vÃtimas de xenofobia associada ao racismo:
08/06 (Canoas, RS): CQC vai atrás de homem que ofendeu haitianos em vÃdeo na internet
08/08 (São Paulo): Seis haitianos são baleados em ataques em São Paulo
19/10 (Navegantes, SC): Haitiano é assassinado em Navegantes (SC)
HomicÃdios e tentativas de homicÃdio falam por si só. Mas chama a atenção, no vÃdeo do CQC, o ódio do agressor contra os haitianos, que tenta humilhar um frentista por estar “roubando emprego dos brasileiros”.
DÉCADAS DE EXCLUSÃO
Uma discriminação menos recente em relação à imigração haitiana é aquela contra os membros do candomblé. Eles ainda são vÃtimas de um racismo que já incluiu a capoeira e o samba, e não dá tréguas, em pleno século 21, a essa preferência religiosa:
02/04 (Santo Amaro, BA): Estudante diz que foi expulso de Fórum por não tirar adereço do candomblé
26/06 (Rio): VÃtima de intolerância religiosa, menina de 11 anos é apedrejada na cabeça após festa de Candomblé
26/07 (Fortaleza): Religião. Discriminação como rotina
07/08 (Santo Antônio do Descoberto, GO): Centro de candomblé é depredado em Goiás: ‘Sempre sofri agressões verbais’, diz mãe-de-santo
12/09 (Ãguas Lindas, GO): Dois terreiros de candomblé são incendiados no Entorno do DFÂ
E OS NOSSOS ESPORTISTAS?
Mas que não se imagine o racismo como obra de incendiários absolutamente intolerantes. Ele está no cotidiano, na forma de piadas e frases desastrosas.
Primeiro foram os colegas do ginasta negro Ângelo Assumpção, um dos principais atletas da seleção brasileira de ginástica artÃstica:
15/05: VÃdeo postado por atleta expõe racismo na seleção de ginástica artÃstica
O vÃdeo acima foi postado pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol. Uma iniciativa mais do que necessária, como se vê pela dificuldade que os técnicos negros encontram para arrumar uma vaga nos principais clubes e pelas declarações do técnico da seleção brasileira, Dunga, em junho, durante a Copa América realizada no Chile.
Ele falava das crÃticas que recebe como treinador e expôs a seguinte metáfora aos repórteres:
26/06 (Chile): “Acho que sou afrodescendente, gosto de apanhar”, diz Dunga
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